Esta matéria da Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios trata das soluções para uma preocupação crescente dentro das corporações: a queda na produtividade. Sabemos que uma pessoa feliz produz melhor. Os especialistas entrevistados pela publicação mostram as razões para se investir no bem-estar dos colaboradores. Confira na íntegra. Saiba a razão para manter o bem-estar de seus funcionários Cuidar do bem-estar do funcionário é tão estratégico quanto desenvolver um produto ou serviço, administrar a saúde financeira da empresa ou pensar no plano de crescimento. Promover a saúde física, mental e emocional do colaborador traz benefícios tangíveis — como a diminuição no número de faltas e o aumento da retenção dos talentos — e intangíveis, como o brilho nos olhos e o entusiasmo de quem trabalha feliz. “Empresas com funcionários satisfeitos são mais propensas a ter sucesso. Quando são valorizados, eles se sentem parte importante da organização. Se a empresa tem um programa de bem-estar, os funcionários sabem que são valorizados”, afirma o americano Steven Aldana, um dos maiores especialistas em saúde e bem-estar no local de trabalho. Durante seus mais de 20 anos na academia, Aldana, que foi professor de medicina de estilo de vida na Brigham Young University, escreveu 75 artigos científicos e sete livros sobre gestão de riscos à saúde, vida saudável e programas de promoção do bem-estar que, juntos, venderam mais de 1 milhão de exemplares. Hoje ele é CEO da WellSteps, consultoria de programas de bem-estar com clientes como a Nasa e a empresa de energia BP. Em entrevista à PEGN, ele recomenda que as empresas de pequeno e médio porte tenham em sua estrutura um defensor do bem-estar, alguém interessado em ajudar os outros a se sentir bem. “Sem uma boa liderança para ajudar a administrar o bem-estar, o programa terá dificuldades”, alerta. Na era em que o nome do jogo é o aumento da produtividade, as empresas precisam se voltar para esse tema para evitar danos relacionados à adoção crescente de novas tecnologias, ao aumento da carga horária e também à demanda interminável de contar com o colaborador sempre por perto — mesmo quando está fisicamente longe. É cada dia mais comum ver funcionários reclamando de chefes que os abordam à noite, em feriados e fins de semana. No curto prazo, isso é contornado. No médio e no longo prazo, no entanto, os efeitos colaterais passam a incomodar. Relacionamentos frios, pressões crescentes, aumento de estresse, vida desequilibrada. Isso tudo faz florescer males médicos (como dor no pescoço e nas costas e doenças do coração), psicológicos (como ansiedade, agressividade, apatia, depressão e insônia), comportamentais (como uso abusivo de cigarro e álcool e desordem alimentar) e organizacionais (como faltas, insatisfação com o chefe e colegas e alto índice de turnover). Nos Estados Unidos, a conscientização chegou ao mercado corporativo. “Cerca de 80% das empresas americanas com mais de 200 funcionários demonstram preocupação com o bem-estar dos colaboradores e já fazem algo a respeito”, diz o americano Ron Goetzel, Ph.D., cientista-sênior e diretor do Institute for Health and Productivity Studies (instituto de estudos da saúde e produtividade), da universidade Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, e vice-presidente de consultoria e pesquisa aplicada para o IBM Watson Health — plataforma de serviços cognitivos que usa dados, análises e inteligência artificial para buscar soluções a desafios de saúde. Para Eduardo Maróstica, professor do MBA de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV (Fundação Getulio Vargas), as empresas, geralmente, são negligentes com o colaborador. “Elas acham que pagar o salário é um diferencial, quando é obrigação. Se esquecem de que a maior punição que uma empresa pode ter é perder bons colaboradores. A maior parte dos gestores tem visão míope.” Nas pequenas empresas brasileiras, diz Maróstica, o cenário é ainda pior. Faltam diálogo e empatia com o colaborador. “É preciso ter uma conversa franca”, aconselha o professor. Em sua consultoria, Core Business, ele já palestrou para mais de 1 milhão de pessoas. Desafios Implementar programas voltados ao bem-estar do quadro funcional nas pequenas empresas ainda é um desafio, uma vez que faltam orçamento, experiência e tempo. “Nesse caso, é mais recomendado contratar alguém de fora ou destacar algum talento interno para voltar-se integralmente a essa questão que, indiscutivelmente, é vital para os negócios”, explica Goetzel, da Johns Hopkins. Conheça o Nocta Bem-Estar: gestão de risco e saúde para a sua empresa, por meio de aplicativo e plataforma web, promovendo engajamento dos seus colaboradores com o objetivo de analisar métricas de saúde para ações personalizadas e promoção do bem-estar. Cuidar do corpo e da mente das pessoas as faz se sentirem mais satisfeitas com a empresa, com o chefe e com os colegas. “Assim, cria-se uma equipe mais disposta, focada, otimista e pronta para arregaçar as mangas. Largar o emprego ou sabotar o trabalho fica mais difícil”, avalia Goetzel. Eventos únicos disfarçados de programas de promoção de saúde provavelmente falharão, aponta o relatório “Da evidência à prática: bem-estar no local de trabalho que funciona”, conduzido pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. É preciso criar um plano estruturado, que tenha como meta cuidar da saúde e do bem-estar dos funcionários. Não basta realizar pesquisas que perguntem aos funcionários sobre riscos modificáveis — hábito de fumar, inatividade física, dieta inadequada ou altos níveis de estresse — e não fazer algo efetivo de curto, médio e longo prazo depois. Muitas vezes, essas pesquisas são associadas a exames de pressão arterial, colesterol e glicose. Fazem muito barulho, causam estresse e acabam sendo deixadas de lado depois de dois meses. A menos que os funcionários recebam as ferramentas e os recursos para realmente mudar — e que sejam monitorados —, de nada vai adiantar fazê-los responder um questionário de 15 minutos. Simplesmente lembrá-los de que é importante cuidar da saúde é parcialmente eficiente. Estudos demonstram que os indivíduos podem não se concentrar nos benefícios de longo prazo de uma determinada ação quando uma recompensa de curto prazo (como fumar, comer uma pizza ou passar horas assistindo à TV) é mais atraente.